Saudade.

 Olá! 

Desde a última vez que escrevi, pouco fiz, confesso. Não escrevi como queria, não fui adiante. Muitas coisas aconteceram desde a última vez que escrevi aqui. Coisas boas e não tão boas, mas que fazeram parte do meu aprendizado. Continuo firme na minha fé, crendo que Deus está comigo. 

No ano que passou, 2021, perdi minha avó. Há 01 ano ela foi para UPA com quadro clínico de pressão baixa, que posterior foi descoberto uma insuficiência renal crônica e um AVC isquêmico. Ela passou medo, porque na UPA não podíamos ficar com ela, devido ao covid 19, e o pior que eles não tinham estrutura para mantê-la lá. Ela certamente passou sede, fome e frio, até conseguirmos vê-la e darmos a atenção, a dignidade e o carinho que merecia. Eu sei que a UPA contribuiu para o AVC e o quadro dela ter agravado. 

Depois de 08 dias naquele lugar ela conseguiu a tomografia no hospital, que confirmou o AVC isquêmico e foi liberada para ir para casa, mas ela já não era mais a mesma. Não conseguia falar como antes, mover-se e até mesmo comer. Ficaram sequelas, onde com a fisioterapia, acompanhamento neurológico, tratamento, trazia a todos nós da família esperança de mais algum tempo com ela. 

Passaram-se 35 dias, e no dia 15/10/22 ela teve um mal estar, mas conseguiu se refazer, porém sua pressão estava baixa novamente e seus reflexos cognitivos menores, então no sábado dia 16/10/22, eu fui visita-la e na presença de minha mãe, meu tio e minha tia, percebemos a diminuição então foi chamado a SAMU, e a levamos para o hospital. Passamos a noite esperando por notícias, que só foi passado às 09:00, ela estava na semi intensiva, havia tudo outro AVC e ficaria internada. A insuficiência renal se mantinha, o que contribuía para quadro clínico nada favorável. 

Ela foi para o quarto, sempre sonolenta, sempre dormindo, interagindo pouco. Minha mãe e meu tio não podiam ficar com ela devido a idade e os protocolos de segurança da covid 19. Minha irmã ficou monitorando minha mãe, pois ela estava tendo picos de hipertensão, minha filha e meu marido trabalhando. Eu fiquei com minha avó durante a maior parte do tempo, saindo somente para uma entrevista de trabalho durante uma manhã, um sábado e no final quando consegui um emprego, dois antes dela falecer. A cada dia a esperança de uma recuperação ia diminuindo, com os resultados dos exames, a insuficiência renal foi afetado a parte metabólica e orgânica, e ela só dormia, devido ao quadro clínico. 

Não foi fácil ver minha avó indo embora, quando eu conversava com a médica e ela me passava a situação, eu tinha de filtrar e repassar aos filhos (mãe e tio), com cuidado para que eles não tivessem algum problema de saúde e também para tomarmos decisões difíceis, como não reanimar caso de parada cardíaca ou UTI em caso mais grave, mas sim mantê-la confortável e com dignidade para um quadro clínico irreversível. 

O que coube a mim eu fiz, cuidei dela da melhor forma possível, confesso, que fiz coisas que jamais imaginaria fazer. Deus esteve comigo o tempo todo, me manteve firme e forte, equilibrada. 

Eu cumpri o que havia prometido pra mim, que o dia que a minha avó precisasse de mim eu estaria ao seu lado, e assim foi. Não foi fácil, houveram momentos de medo, de tristeza, de desespero, de dor e de choro, mas nada que me impedisse de estar ali com ela. Eu me despedia todos os dias e no último dia, mesmo sem saber, eu a beijei, pedi que ela fizesse o melhor para ela, mesmo ela estando dormindo num sono profundo, ela ouvia, e eu disse: vó faça o melhor para a senhora, nos vamos ficar bem, eu vou ficar bem, eu vou sofrer, vou sentir saudade, vou sentir falta, vou chorar, mas vou ficar bem, eu vou te amar por toda eternidade, e fui embora, alguns minutos depois ela partiu. 

Dia 04/11/22 fará 01 ano do seu falecimento, tem dias que dói muito, a saudade bate, mas o que me conforta é que ela não sofreu, mantivemos a qualidade de vida dela, o conforto, e a sua partida foi em paz. 

Então, hoje convivo com a saudade. E precisava escrever sobre o que aconteceu, porque foi um momento doloroso, que eu sabia que um dia aconteceria, mas nunca estamos preparados. 

Agora é deixar a minha avó em paz, pois foi assim que ela partiu. E saber que ela e o meu avô estão em um bom lugar, em uma das moradas de Deus Pai, conforta a mim e a todos da nossa família.

O que ficou foram as boas lembranças e a saudade.




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